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Cronograma de desligamento da DI: o granel vai para 11 de outubro

·9 min de leitura·Suellen Martins
Cronograma de desligamento da DI: o granel vai para 11 de outubro
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O cronograma de desligamento da DI foi revisado em 26 de agosto de 2026 e passou à versão 26. O desligamento da embalagem tipo Granel, previsto para 31 de agosto, foi adiado para 11 de outubro de 2026 pela Notícia Siscomex Importação nº 092/2026. As demais datas do cronograma não foram alteradas nessa revisão.

O adiamento chegou dois dias antes da data que ele adiava. Para quem havia programado parada de sistema, treinamento de equipe ou corte de operação para 31 de agosto, o efeito imediato foi um cronograma interno errado, e a pergunta seguinte não é quando será a nova data, mas o que fazer com as seis semanas que apareceram.

O que mudou na versão 26 do cronograma

Uma linha, e apenas uma. A tabela abaixo compara a situação anterior com a vigente.

EtapaVersão anteriorVersão 26, de 26/08/2026
Embalagem tipo GranelDesligamento em 31/08/2026Desligamento em 11/10/2026
Cargas aéreas de voos não regularesDesligamento em 31/08/2026Sem alteração, mantido em 31/08/2026
Loja franca aéreaDesligamento em agosto de 2026Sem alteração
Etapas de dezembro de 2026Desligamento em 01/12/2026Sem alteração

A Notícia Siscomex Importação nº 092/2026, de 28 de agosto de 2026, formalizou o adiamento e declarou o motivo:

Proporcionar tempo adicional de adaptação dos intervenientes aos novos processos por DUIMP. A justificativa importa mais que a data, porque ela descreve a causa que continuará operando nas etapas seguintes.

Convém registrar uma imprecisão que circula na cobertura do tema. O ato trata da embalagem tipo Granel, e não de um modal. A associação com o marítimo é factualmente correta, porque é ali que o granel se concentra, mas a redação oficial não qualifica o modal, e reproduzir "granel marítimo" como se fosse o termo da norma estreita indevidamente o alcance do adiamento.

Quantas janelas de desligamento ainda restam em 2026?

Duas, e essa contagem dimensiona o problema. Depois de 11 de outubro vem 1º de dezembro, e o exercício encerra. O que estava distribuído em quatro meses passou a se concentrar em dois.

A aritmética da revisão é mais reveladora que a data em si. O cronograma foi publicado em outubro de 2025 e chegou à versão 26 em 26 de agosto de 2026. São 25 revisões em cerca de 323 dias, ou uma revisão a cada 13 dias, em média. Nenhuma delas antecipou uma etapa. Todas empurraram, redistribuíram ou detalharam.

Esse padrão sustenta a única previsão defensável sobre o cronograma: a data se move, o sentido não. Quem planeja contando com adiamento acerta com frequência sobre a data e erra sobre a consequência, porque cada adiamento comprime o que vem depois em vez de aliviar o conjunto.

Vale acrescentar uma ressalva que está na própria página oficial: a efetivação de cada etapa depende de validações feitas pelo setor privado. O cronograma não é um compromisso unilateral da administração, é um plano condicionado ao que os sistemas das empresas conseguirem sustentar. Isso explica a frequência das revisões e, ao mesmo tempo, remove o argumento de que o adiamento é concessão: ele é diagnóstico de que o setor ainda não estava pronto.

Por que o adiamento não é uma folga

Porque ele não muda a quantidade de trabalho, apenas a data em que a falta dele aparece.

A migração de DI para DUIMP não é uma troca de tela. Ela depende de itens com prazo de execução longo e sequência obrigatória: habilitar o gestor do catálogo no Cadastro de Intervenientes, cadastrar operadores estrangeiros com TIN, catalogar produtos com os atributos da NCM preenchidos, integrar o sistema ao Portal Único e reconfigurar a emissão da nota de entrada, que passa a ser lastreada em DUIMP. O item de maior prazo é o catálogo, e é ele que costuma ser tratado como projeto futuro. O que essa preparação envolve está detalhado em catálogo de produtos na DUIMP.

Nenhum desses itens muda porque a data mudou. A empresa que interrompeu a preparação ao saber do adiamento vai chegar em 11 de outubro na mesma condição em que chegaria em 31 de agosto, com uma diferença relevante: terá sete semanas a menos até 1º de dezembro, quando a etapa seguinte vence. O adiamento, nesse caso, não gerou fôlego. Consumiu-o.

Há ainda um efeito de segunda ordem no fornecedor. Quando uma data se move, a demanda por implantação, treinamento e suporte se desloca junto e se concentra na nova janela. Quem contrata sistema em setembro disputa agenda com todos os que também adiaram, e o prazo de implantação que era de semanas passa a ser negociado dentro da fila.

O custo de planejar migração por data em vez de por capacidade

Aqui está a decisão que o cronograma realmente coloca, e ela é de alocação, não de calendário.

Planejar por data significa perguntar quando a obrigação vence e trabalhar de trás para frente. É o método natural, e falha quando a data é instável: cada revisão do cronograma invalida o plano, e a empresa refaz o planejamento 25 vezes em vez de executar uma.

Planejar por capacidade significa perguntar quantas operações por mês a empresa consegue registrar em DUIMP hoje, sem parar o resto, e aumentar esse número de forma contínua. A pergunta muda de "quando precisamos estar prontos" para "qual fração da operação já está migrada". A segunda formulação é imune a adiamento, porque a métrica não depende da data oficial.

A diferença aparece no orçamento. Uma migração planejada por data é despesa concentrada, com pico de contratação e de horas na véspera do prazo, e risco de execução em janela única. Migração planejada por capacidade é despesa distribuída, com curva de aprendizado absorvida ao longo do período e sem evento de parada. O custo total tende a ser semelhante; o risco, não.

Uma referência útil de leitura: se a empresa não sabe responder qual percentual das suas operações do último trimestre foi registrado por DUIMP, ela está planejando por data, independentemente do que diga o cronograma interno.

O que revisar no cronograma interno agora

  1. Corrigir a data do granel em todos os artefatos internos: Cronograma de projeto, calendário de parada, comunicado a clientes e material de treinamento que citem 31 de agosto estão desatualizados desde 28 de agosto.
  2. Confirmar se a operação foi alcançada pelo adiamento: O ato trata da embalagem tipo Granel. Operações em outras embalagens seguem as datas que já valiam.
  3. Verificar o que venceu em 31 de agosto: As cargas aéreas de voos não regulares não foram alcançadas pelo adiamento. Quem opera nesse recorte já deveria estar em DUIMP.
  4. Medir a capacidade atual, não a data: Levantar o percentual de operações do último trimestre registrado por DUIMP e definir a meta do trimestre seguinte em pontos percentuais.
  5. Antecipar o catálogo, que não depende do modal: O cadastro de produtos e de operadores estrangeiros é pré-requisito de qualquer etapa e pode ser executado antes de a data chegar.
  6. Preparar a emissão da nota de entrada: Com a DI desligada, a nota passa a ser lastreada em DUIMP, o que muda campos do documento e é origem frequente de recusa na autorização, como detalhado em nota fiscal de importação rejeitada.
  7. Assinar o acompanhamento da página oficial: O cronograma muda a cada duas semanas em média, e a revisão não vem com aviso individual.

Insight

O cronograma de desligamento da DI é uma série de 26 versões que diz sempre a mesma coisa. A informação nova de cada revisão é a data.

Empresas que tratam cada revisão como notícia refazem o plano a cada treze dias e executam pouco. Empresas que tratam o cronograma como ruído sobre uma tendência conhecida executam de forma contínua e usam cada o adiamento como margem, não como pausa. A diferença entre as duas não está no acesso à informação, que é pública e idêntica para todos, e sim no que cada uma escolheu como unidade de planejamento.

A pergunta que substitui todas as outras é simples de fazer e desconfortável de responder: se o desligamento fosse amanhã, qual fração da operação continuaria funcionando. Enquanto a resposta for um número baixo, a próxima revisão do cronograma é irrelevante.


FAQ

Quando a DI deixa de ser aceita para carga a granel?

Em 11 de outubro de 2026. A data anterior era 31 de agosto de 2026, e o adiamento foi formalizado pela Notícia Siscomex Importação nº 092/2026, de 28 de agosto. A justificativa oficial foi dar tempo adicional de adaptação dos intervenientes aos processos por DUIMP.

O cronograma de desligamento da DI pode mudar de novo?

Pode, e mudou 25 vezes desde outubro de 2025, uma revisão a cada 13 dias em média. A própria página oficial condiciona a efetivação de cada etapa a validações feitas pelo setor privado. Nenhuma revisão até hoje antecipou uma data: todas adiaram, redistribuíram ou detalharam.

O adiamento vale para todos os modais?

O ato trata da embalagem tipo Granel, sem qualificar o modal. A associação com o marítimo é factualmente correta, porque é onde o granel se concentra, mas operações em outras embalagens seguem as datas que já valiam. O desligamento das cargas aéreas de voos não regulares, por exemplo, não foi alcançado.

Quando a DUIMP se torna obrigatória para todos?

Não há uma data única. O cronograma desliga a DI por etapas, combinando modal, tipo de embalagem, regime e órgão anuente, e as etapas restantes em 2026 são 11 de outubro e 1º de dezembro. A obrigatoriedade chega a cada operação na data da sua etapa.

O que fazer com o tempo extra do adiamento?

Executar o que não depende da data: habilitar o gestor do catálogo, cadastrar operadores estrangeiros com TIN e catalogar produtos com os atributos da NCM. O catálogo é o item de maior prazo de execução da migração e é pré-requisito de qualquer etapa do cronograma.


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