Tabela CFOP: o que é, estrutura e os códigos que mais importam
O CFOP é o código de quatro dígitos que diz ao Fisco o que cada nota fiscal está fazendo: se é compra ou venda, se é dentro ou fora do estado, se vem do exterior e se há incidência de imposto. Informar o código errado é infração autônoma, penalizável mesmo quando o imposto está correto, e é uma das causas mais comuns de rejeição de nota e de problema em fiscalização de trânsito.
Para quem importa e revende, o CFOP aparece em dois momentos críticos: na entrada da mercadoria importada e na saída para o cliente. Errar a classificação em qualquer um deles compromete a apuração e expõe a operação. Entender a lógica dos quatro dígitos resolve a maior parte das dúvidas sem precisar decorar a tabela inteira.
O que é CFOP?
CFOP é a sigla de Código Fiscal de Operações e Prestações. É um código numérico que indica o tipo de operação ou prestação, a sua natureza, o local em que ocorre e a incidência ou não de imposto. Ele não se confunde com a "natureza da operação", que é a descrição em texto: o CFOP é o código padronizado que o Fisco lê.
Cada operação registrada em nota fiscal recebe um CFOP, e cada CFOP corresponde a uma situação específica prevista na legislação. É por ele que a Receita e as secretarias estaduais identificam, em escala, o que cada documento representa.
Como funciona a estrutura dos quatro dígitos?
O primeiro dígito do CFOP define a direção e o alcance da operação. É a chave que organiza toda a tabela:
| 1º dígito | Operação | Alcance |
|---|---|---|
| 1 | Entrada | Dentro do estado |
| 2 | Entrada | De outro estado (interestadual) |
| 3 | Entrada | Do exterior (importação) |
| 5 | Saída | Dentro do estado |
| 6 | Saída | Para outro estado (interestadual) |
| 7 | Saída | Para o exterior (exportação) |
Os três dígitos seguintes detalham a operação: compra para comercialização, transferência, devolução, remessa, entre outras. Saber o primeiro dígito já posiciona o código no grupo certo. Por isso uma entrada de importação sempre começa com 3, e a venda interestadual ao cliente sempre com 6.
Quais CFOPs o importador mais usa?
Na rotina de quem importa para revender, um conjunto pequeno de códigos cobre a maior parte das operações:
| CFOP | Operação |
|---|---|
| 3.101 | Compra para industrialização (importação) |
| 3.102 | Compra para comercialização (importação) |
| 3.551 | Compra de bem para o ativo imobilizado (importação) |
| 1.102 / 2.102 | Compra para comercialização (mercado interno) |
| 5.102 / 6.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros |
| 5.152 / 6.152 | Transferência de mercadoria de terceiros (entre filiais) |
A entrada da importação costuma ser 3.102 para quem revende e 3.101 para quem industrializa. A saída para o cliente final do produto importado é, em regra, 5.102 dentro do estado ou 6.102 para fora dele.
Por que o CFOP correto evita prejuízo?
O CFOP comunica a natureza tributária da operação, então ele precisa ser coerente com o que de fato ocorreu. Usar um código de comercialização em uma transferência, ou tratar produto importado com o código de produção própria, gera divergência na apuração e pode ser autuado por si só. Em uma fiscalização de trânsito, o CFOP incorreto trava a mercadoria.
A coerência também é interna: o CFOP precisa conversar com o CST ou CSOSN informado e com a finalidade real do produto. Quando esses campos se contradizem, a nota tende a ser rejeitada na validação ou questionada depois.
O que muda com a Reforma Tributária?
Com a transição da Reforma Tributária, entra em cena um novo campo na NF-e: o cClassTrib (Código de Classificação Tributária do IBS e da CBS). Ele não substitui o CFOP, as funções são distintas. O CFOP continua descrevendo a natureza da operação (importação, venda, devolução); o cClassTrib, com seus 6 dígitos, classifica o tratamento tributário do item para fins de IBS e CBS, vinculando cada produto a um artigo da LC 214/2025.
Desde janeiro de 2026, o CST e o cClassTrib são campos obrigatórios na emissão, e seus três primeiros dígitos coincidem (o cClassTrib detalha o que o CST resume). Durante a transição, CFOP e cClassTrib convivem; a permanência do CFOP após a implementação plena do novo modelo ainda não está definida.
Em resumo
O CFOP é o código que traduz cada operação para o Fisco, e a lógica do primeiro dígito (entrada ou saída; dentro do estado, interestadual ou exterior) resolve a maior parte das dúvidas. Para o importador, a regra de ouro é simples: importação entra com 3, venda ao cliente sai com 5 ou 6, e o código precisa ser coerente com o CST e com a natureza real da mercadoria. Com a Reforma, soma-se a essa rotina o preenchimento correto do cClassTrib para IBS/CBS. Acertar esses códigos é o que evita rejeição de nota, autuação e carga retida.
FAQ
O que é CFOP? É o Código Fiscal de Operações e Prestações, um código de quatro dígitos que indica o tipo e a natureza da operação na nota fiscal, o local em que ocorre e a incidência ou não de imposto. É por ele que o Fisco identifica o que cada documento representa.
O que significa o primeiro dígito do CFOP? Define a direção e o alcance: 1 e 2 são entradas (dentro do estado e interestadual), 3 é entrada do exterior (importação), 5 e 6 são saídas (interna e interestadual) e 7 é saída para o exterior (exportação).
Qual CFOP usar na importação? Toda entrada do exterior começa com 3. O importador que revende usa o 3.102 (comercialização); quem industrializa usa o 3.101; bem para o ativo imobilizado usa o 3.551.
Qual a diferença entre CFOP e natureza da operação? A natureza da operação é a descrição em texto do que está sendo feito; o CFOP é o código padronizado correspondente. O Fisco lê o código, e ele precisa ser coerente com a natureza descrita.
Errar o CFOP gera multa? Sim. O CFOP incorreto é infração autônoma e pode ser penalizado mesmo com o imposto correto, além de causar rejeição da nota e retenção da mercadoria em fiscalização de trânsito.
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