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Tabela CFOP: o que é, estrutura e os códigos que mais importam

·6 min de leitura·Suellen Martins
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O CFOP é o código de quatro dígitos que diz ao Fisco o que cada nota fiscal está fazendo: se é compra ou venda, se é dentro ou fora do estado, se vem do exterior e se há incidência de imposto. Informar o código errado é infração autônoma, penalizável mesmo quando o imposto está correto, e é uma das causas mais comuns de rejeição de nota e de problema em fiscalização de trânsito.

Para quem importa e revende, o CFOP aparece em dois momentos críticos: na entrada da mercadoria importada e na saída para o cliente. Errar a classificação em qualquer um deles compromete a apuração e expõe a operação. Entender a lógica dos quatro dígitos resolve a maior parte das dúvidas sem precisar decorar a tabela inteira.

O que é CFOP?

CFOP é a sigla de Código Fiscal de Operações e Prestações. É um código numérico que indica o tipo de operação ou prestação, a sua natureza, o local em que ocorre e a incidência ou não de imposto. Ele não se confunde com a "natureza da operação", que é a descrição em texto: o CFOP é o código padronizado que o Fisco lê.

Cada operação registrada em nota fiscal recebe um CFOP, e cada CFOP corresponde a uma situação específica prevista na legislação. É por ele que a Receita e as secretarias estaduais identificam, em escala, o que cada documento representa.

Como funciona a estrutura dos quatro dígitos?

O primeiro dígito do CFOP define a direção e o alcance da operação. É a chave que organiza toda a tabela:

1º dígitoOperaçãoAlcance
1EntradaDentro do estado
2EntradaDe outro estado (interestadual)
3EntradaDo exterior (importação)
5SaídaDentro do estado
6SaídaPara outro estado (interestadual)
7SaídaPara o exterior (exportação)

Os três dígitos seguintes detalham a operação: compra para comercialização, transferência, devolução, remessa, entre outras. Saber o primeiro dígito já posiciona o código no grupo certo. Por isso uma entrada de importação sempre começa com 3, e a venda interestadual ao cliente sempre com 6.

Quais CFOPs o importador mais usa?

Na rotina de quem importa para revender, um conjunto pequeno de códigos cobre a maior parte das operações:

CFOPOperação
3.101Compra para industrialização (importação)
3.102Compra para comercialização (importação)
3.551Compra de bem para o ativo imobilizado (importação)
1.102 / 2.102Compra para comercialização (mercado interno)
5.102 / 6.102Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros
5.152 / 6.152Transferência de mercadoria de terceiros (entre filiais)

A entrada da importação costuma ser 3.102 para quem revende e 3.101 para quem industrializa. A saída para o cliente final do produto importado é, em regra, 5.102 dentro do estado ou 6.102 para fora dele.

Por que o CFOP correto evita prejuízo?

O CFOP comunica a natureza tributária da operação, então ele precisa ser coerente com o que de fato ocorreu. Usar um código de comercialização em uma transferência, ou tratar produto importado com o código de produção própria, gera divergência na apuração e pode ser autuado por si só. Em uma fiscalização de trânsito, o CFOP incorreto trava a mercadoria.

A coerência também é interna: o CFOP precisa conversar com o CST ou CSOSN informado e com a finalidade real do produto. Quando esses campos se contradizem, a nota tende a ser rejeitada na validação ou questionada depois.

O que muda com a Reforma Tributária?

Com a transição da Reforma Tributária, entra em cena um novo campo na NF-e: o cClassTrib (Código de Classificação Tributária do IBS e da CBS). Ele não substitui o CFOP, as funções são distintas. O CFOP continua descrevendo a natureza da operação (importação, venda, devolução); o cClassTrib, com seus 6 dígitos, classifica o tratamento tributário do item para fins de IBS e CBS, vinculando cada produto a um artigo da LC 214/2025.

Desde janeiro de 2026, o CST e o cClassTrib são campos obrigatórios na emissão, e seus três primeiros dígitos coincidem (o cClassTrib detalha o que o CST resume). Durante a transição, CFOP e cClassTrib convivem; a permanência do CFOP após a implementação plena do novo modelo ainda não está definida.

Em resumo

O CFOP é o código que traduz cada operação para o Fisco, e a lógica do primeiro dígito (entrada ou saída; dentro do estado, interestadual ou exterior) resolve a maior parte das dúvidas. Para o importador, a regra de ouro é simples: importação entra com 3, venda ao cliente sai com 5 ou 6, e o código precisa ser coerente com o CST e com a natureza real da mercadoria. Com a Reforma, soma-se a essa rotina o preenchimento correto do cClassTrib para IBS/CBS. Acertar esses códigos é o que evita rejeição de nota, autuação e carga retida.

FAQ

O que é CFOP? É o Código Fiscal de Operações e Prestações, um código de quatro dígitos que indica o tipo e a natureza da operação na nota fiscal, o local em que ocorre e a incidência ou não de imposto. É por ele que o Fisco identifica o que cada documento representa.

O que significa o primeiro dígito do CFOP? Define a direção e o alcance: 1 e 2 são entradas (dentro do estado e interestadual), 3 é entrada do exterior (importação), 5 e 6 são saídas (interna e interestadual) e 7 é saída para o exterior (exportação).

Qual CFOP usar na importação? Toda entrada do exterior começa com 3. O importador que revende usa o 3.102 (comercialização); quem industrializa usa o 3.101; bem para o ativo imobilizado usa o 3.551.

Qual a diferença entre CFOP e natureza da operação? A natureza da operação é a descrição em texto do que está sendo feito; o CFOP é o código padronizado correspondente. O Fisco lê o código, e ele precisa ser coerente com a natureza descrita.

Errar o CFOP gera multa? Sim. O CFOP incorreto é infração autônoma e pode ser penalizado mesmo com o imposto correto, além de causar rejeição da nota e retenção da mercadoria em fiscalização de trânsito.

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